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O rato se aproveitou disso para descer as escadas e se embrenhar num monte de revistas velhas que estavam em um cesto em uma sala do andar de baixo.






A velha surtada xingava, dizendo impropé rios pela casa, foi até o quintal buscar o seu chinelo, praguejando:

- Vou comprar veneno de rato, uma ratoeira...

Lá em abaixo no primeiro andar da casa, era um sobrado o rato todo trê mulo colocava seus sentidos a prova mais uma vez com os olhos, ouvidos e nariz bem atentos, olhou ao redor tudo mais calmo ele começ ou entã o agora mais aliviado a roer as revistas em pequenos pedaç os, passa-tempo de rato...

Já tendo feito, transformando boa parte das revistas em confete para carnaval, o rato foi perambular pela casa em um aposento viu dentro de duas enormes gaiolas, dois papagaios ele ia se aproximando, quando uma das aves presa de dentro de uma das gaiolas o viu e disse:

- Hei selvagem, o que um cigano faz por essas bandas?

- Como sabe que sou cigano?

Havia respondido o rato.

O outro papagaio da outra jaula interrompeu e disse:

- Pelas suas vestes, lenç o, brinco, dentes de ouro.

- Estou a procura de conforto, sabe a vida anda meio dura e eu estou ficando meio mole.

- É, pois é, cigano safado! A vida é dura para quem é mole!

- Sei, fá cil falar recebendo á gua e comida na boca todo dia.

- Rato cí nico, você nã o faz idé ia de como é deprimente ficar nesta jaula preso sem poder voar.

E o outro papagaio ao lado praguejou e se lamentou dizendo:

- Cigano vagabundo, eu sou macho e o papagaio da jaula ao lado també m nã o tem papagaia aqui, logo isso aqui e um lugar muito, mas muito desagradá vel e deprimente.

- Bom, todo mundo procura pelo que lhe falta, veja o meu caso agora pouco minha barriga estava vazia, já nã o está mais.

Falou o rato enquanto mexia as sobrancelhas, com um sorriso amarelo e brilhante.

- Velha! Velha!

Começ aram a gritar os papagaios em coro.



- Velha! Velha!

- Hei o que há, o que você s estã o fazendo?

- Espera aí que você vai ver. Velha! Velha!. Tô chamando o seu algoz.

O rato se tocou e saiu pela fresta de uma das porta indo para a lavanderia.

Na lavanderia, roupas sujas em um cesto, peç as de roupas penduradas no varal e uma má quina de lavar barulhenta fazendo espuma.

Ele andava pela lavanderia desviando dos pingos d’á gua das roupas molhadas no varal, quando viu uma ré stia de sol, pô s ó culos escuros e foi tomar sol.

Com a barriga para cima, ficou bem acomodado.

Algo havia coberto o sol fazendo sombra no pequeno rato.

Entã o o rato exclamou

- Droga, uma nuvem!



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